Atendendo a um pedido de um muito
grande amigo, proseio sobre o excesso, que, confesso, luto para por freio em mim
também, pois isto só causará muito bem.
Enfim, do ano que parecia não
ter fim, passaram as festas e destas ficaram os excessos que teremos que ser
prestos em fazer desaparecer. Pensar que outros virão, seja nas férias de
verão, ou no carnaval que nos incita a transformar em bem o mal...
Puritanismo de minha parte ou há
de fato o que se descarte para que não desçamos ao abismo? Se exageros há nas
despesas com presentes, nas mesas imponentes e nos comensais negligentes com a
saúde, vemos amiúde aqueles que sofrem por nada ter enquanto estes sofrem por
tudo querer.
Excesso é pensar que tudo o que vier
vai passar, então é mister aproveitar para que não desapareça no ar. Isto inclui
a visão de si mesmo como um ser vivendo a esmo, sem destino ou estação, cuja
morte é um desatino que advém sem contestação. Então é quando o sujeito
exagera, quer que seja agora, sem espera, nada de melhor hora, pois quem não sabe
o que vai viver, prefere morrer a não aproveitar o que ali está para
experimentar.
São os sentidos sem limites, que
aceitam os convites sem saber se suportarão. E pouco importa este suportar,
pois dizem, melhor gozar do que postergar.
Mas, se falamos dos que excedem
nas ocasiões, há também os que excedem nas pequenas situações. Sim, porque os
pequenos excessos também dão motivos de excitação e fazem a pessoa abraçar o
excesso sem pensar.
Somos muitos os que seguem pelo
prazer do sentir, sem sequer anuir o que estará por vir. Porém, está escrito o
que virá, fracasso como pessoa que acumulou à toa daquilo que parecia bom, mas
que não lhe deu o tom.
O pensamento é o freio que
separa o gozador do exagero que implanta neste a futura dor. A razão muito nos
explica, nos dá diretriz, nos qualifica a sermos melhores do que somos, ainda
mais do que já fomos. Pensar, pois, antes de agir, sem torturar nem exigir, mas
simplesmente por ter na mente que viver é mais que sentir.
Ser mais do que a coisa que o
excita agora e que o prejudica vida afora, saber compreender que vale sim,
viver com o equilíbrio e desfrutar do convívio daqueles que o rodeiam, sem
excessos que norteiam o seu fracasso a cada passo, enquanto dizem que odeiam os
que a eles firmam o compasso.
Rico em viver é aquele que
procura aprender porque pensa e quer saber, não porque conhece e quer sabor não
lhe importando a futura dor. Apesar disto, no fim de tudo, resiste o amor.
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