sábado, 24 de setembro de 2016

O Desamor



Diz-se que desamar é deixar de lado, é nutrir indiferença por quem já foi amado. É olhar com desdém para aquele a quem outrora suspirou alento e que agora se consolidou em aborrecimento.

Melhor dizer que desamar é retroceder ao intento de amar. Mas, se há apenas do amor uma intenção, é porque de fato não se consolidou a vibração.

Amor tem dinamismo, não é estático e de prático não flerta com o comodismo.

Desamor é o retrocesso, a desistência do sentimento que nunca foi ardente, uma minudência do momento de aparente amor confesso. Pois que não há como desamar se o amor encontrou lugar.

Amor é como existir: assim como não há como deixar de existir o que já existe, não há como deixar de amar o que já ama.

O amor é a essência criadora no ser: é matéria e é energia, é coisa séria e é alegria, é emoção que vai além, é ação que produz o bem.

Logo, o desamor é uma incoerência, é a pura evidência da descura de quem confundiu o clamor de uma atitude com o amor em plenitude.

Receita perfeita contra o desamor? Ame, simplesmente ame!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Desesperança


A desesperança é o fim anunciado. Diria mais, é o fim antecipadamente decretado, sem que se queira olhar para a frente, sequer para o lado. É algo que sente quem está emocionalmente encurralado e porque não mais espera, menos ainda fica esperançado.

A esperança é ânimo que se adquire para o enfrentamento, é tranquilidade ante a prova do momento, é uma qualidade daquele que lida com o sofrimento e vê uma nova motivação, um cometimento que impulsiona a razão a dar seguimento à ação de renovação.

A desesperança, ao contrário, impede a pessoa de enxergar para além do problema casual e de montar um esquema para sair desta prisão emocional. A esperança dá tempo ao tempo, a desesperança desconhece o tempo porque entristece o amanhã misturando-o em um amalgama de dor e atirando-o ao relento do desamor.

Esperançar, verbo que significa animar ou confiar. Enquanto desesperançar é o mesmo que se entregar, esperançar é ser incansável no lutar.

Pois que há covardia na desesperança, há coragem na esperança. Covardia é desistência, coragem é resiliência.

Se é lato sensu que não passarão a Fé, a Esperança e o Amor, é fato, penso, que a desesperança não cria limo em quem busca o Criador pois conhece o Amor!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O Rancor


Filho da inveja com o ódio e primo-irmão da mágoa, o rancor é a não aceitação do outro, em qualquer condição que este outro apareça beneficiado em detrimento dos interesses do que se sente magoado. Denota um caráter egoísta, pois somente admite o benefício a si próprio e molda este egoísmo em argumentos razoáveis a primeira vista, mas que não se sustentam em uma análise ampliada da questão central e das questões periféricas a esta associada.

Como já foi dito, é do casamento da inveja com o ódio que nasce o rancor. A inveja se apresenta a esmo e não aceita o veredito que dá ao outro o que não pode lograr para si mesmo. Mas é na infelicidade do encontro com o ódio que surge o rancor, dificultando ainda mais a fecundidade do amor.

Sejamos sinceros, não há motivo de rancor que não seja dissolvido pelo amor. Claro que quem adota a postura rancorosa só anota dedo de prosa como detrator. O ódio o alimenta, enquanto a inveja lhe é só elogio e a mágoa o aumenta, porquanto com ele peleja por anos a fio.
Remédio eficaz para quem se sente incapaz de mudar o padrão de pensamento é deixar por um momento de fixar a atenção no móvel do sentimento que lhe causa esta fixação. Neste instante pensar que é importante olhar para dentro de si e procurar o lugar aonde escondeu a sua capacidade de amar a algo ou alguém, não importando a quem. Ao encontrar este amor e deixando-se emocionar, a pessoa presa ao rancor irá redirecionar a força que tem para valorizar este amor, guardando o “mas” para longe deste olhar que a ternura consegue alcançar. Entender que não é o outro que deve definir o seu jeito de ser e que nutrir o rancor é em verdade magoar-se, machucar-se, a si mesmo ferir sem nada no universo mudar senão a própria disposição de amar.

domingo, 11 de setembro de 2016

A Angústia


A angústia é a opressão do ser sobre o seu momento. Prima-irmã da ansiedade, a angústia torna o ser incapaz de proceder com seu projeto de vida, pois teme perder o que pensa ser a própria vida. É a visão do nada que se avoluma e faz com que a pessoa nada mais assuma porque não há o que assumir, simplesmente há a vontade de sumir.

A pessoa angustiada está sob a pressão entre o vazio existencial e o nada que lhe assinala. É de tal tamanho o vácuo que se apresenta que a voz se cala diante deste horizonte abismal que só aumenta.

A visão do bem, do belo e do amor se perde diante do horror que a angústia produz na tela mental do atormentado que não percebe que o bem, o belo e o amor estão bem ao seu lado. É qual a criança perdida na praia que, em meio a uma multidão pronta a lhe ajudar, se sente só por não ver sua mãe, seu pai, seu irmão, enfim, alguém do seu lar.

O alívio da angústia está em esticar a visão para além da opressão. O angustiado não enxerga senão o ponto para o qual seu horizonte foi sequestrado. Porém, a percepção de que não está só no mundo, de que o Amor é o verdadeiro horizonte e que a vida se estende para o infinito e mais além, faz a pessoa voltar ao sentimento do bem e começar a vencer o momento que lhe fez perecer, mas cujo Amor pode resgatá-la e mudar sua perspectiva de vida, sua expectativa e ante a sua mudez resgatar a sua fala.

Um passo de cada vez é o melhor movimento a se fazer, o cuidado é remédio adequado quando o ser paralisado volta a se mexer. Os olhos mantidos no horizonte do amor e o sentido aguçado para perceber o bem e o belo que estão ao seu lado propiciam ao outrora angustiado uma saída segura da dor.

sábado, 10 de setembro de 2016

O Suicídio


Suicídio – o nome já diz: sui = si mesmo; cídio = matar, ou seja, matar a si mesmo.

O ato de suicidar implica em abandono da vida quando nada parece mais fazer sentido nesta lida, agravado pela dor que se sente, ou que se mostra iminente. Desta forma, muitos atravessam esta porta em direção ao nada hipotético, a este fim de estrada para o cético, para não ter que enfrentar o que lhe parece impossível de aturar.

Cometer suicídio é desobedecer ao instinto, que trabalha sempre para a conservação do indivíduo. Atitudes como alimentação adequada, atividades físicas moderadas, busca da saúde, são indícios naturais da vontade de viver que cerca o ser. Entrementes, muitos carecem de algum descompromisso consigo mesmo, cometendo excessos evidentes contra a sua natureza. Por isso cito o tabagismo, o alcoolismo, a drogadicção ou o comportamento glutão; repito, um ou outro cometimento destes considerados inocentes, mas que nos levam na mesma direção: a autodestruição.

Não é diferente quando o ato é amparado por lei, qual o direito a eutanásia que algumas sociedades admitem e que podem ser solicitadas por quem desiste de viver, como se esta escolha fosse legítima ao próprio ser.

No oculto desta decisão há um fosso cujo fundo é sem igual para quem não tem visão de como sair deste poço moral.

A inteligência e a mente não são produtos da matéria, assim já sabe a ciência e demonstra a investigação esotérica. Assim, a continuidade do ser é algo que já não há muito como negar, logo o ato de suicidar é intrínseco ao mundo material, mas não apaga sua essência transcendental.

A consciência enfrentada diante da fuga realizada ao enfrentamento a que foi convidada a pessoa desertada, tem suplícios que tornam os renunciados sacrifícios meras indisposições transitórias, percalços para que fossem alcançadas as glórias. Isto não é uma questão de crer, mas de saber.

O volume de conhecimento disposto sobre o tema não mais admite que se alegue ignorância, mas considerando não haver julgador senão o próprio fugitivo, agora seu acusador, esta é uma questão de menor importância. De relevante mesmo é saber que, o ato autodestrutivo é passo decisivo para o agravamento da condição atual daquele que antecipou sua saída da existência material.

Se ainda assim a pessoa acalenta este pesadelo como caminho de solução, procure alguma literatura que expõe o que ocorre com aquele que se foi por esta decisão. Afinal, a este não mais importa se tal literatura é oriunda de ciência ou de religião, pois para quem pretende mergulhar no nada para nada mais ser, que mal lhe fará confrontar sua convicção com a de tantos outros que creem na vida após do corpo lograr a libertação?

O Tédio


O tédio é o sentimento de vazio que se tem quando algo se espera para mais além, sem que se saiba exatamente o que virá, tampouco, quando, de onde ou por quem.

A espera em vazio abre uma brecha emocional qual um vácuo não intencional e claramente adimensional. Logo este vácuo começa a ser preenchido pelo que é simples e fácil de ser colhido. Uma conversa tosca, uma atividade passageira, a vida gira qual rosca que fixa a visão a um ponto, reduzindo o significado de uma vida inteira a algo que não virá por encanto.

O mais grave disto tudo é que o tédio não permite preencher o vazio existencial momentâneo com algo sucedâneo ou mesmo com uma proposta de elevação moral que coloque o tedioso em condição melhor ou igual a que tinha antes de abrir-se ao tenebroso lapso temporal.

O tempo aparece como vilão, quando em verdade não é mais que um irmão, que judicioso em seu viver, não abandona a nenhum ser, pois a todos acompanha e recebe na chegada à vida, como também na sua partida.

Cobramos deste irmão criterioso e justo, que se faz presente ao mais atento e ao displicente dá um susto, como se ele, o tempo, fosse a razão do tédio, atrasando dos relógios os ponteiros ou fomentando régios atoleiros.

Um simples olhar para a própria vivência e fica perceptível que a experiência é infalível remédio contra o tédio. Basta compreender que acima de nossa vontade reina o Criador com Sua Sublimidade, a distribuir os recursos com perfeita equidade, considerando a vida como uma construção na qual cada um tem sua missão no processo de edificação.

Querer que este Puro Amor atenda a nossa tensa vontade é reduzi-lo a menos do que somos sem reprimenda à nossa  imensa vaidade.
Compreender que as horas preenchidas com o lume do Amor são colhidas qual perfume de flor e que tal preenchimento afugenta por completo do tédio o cometimento, este é o verdadeiro ensinamento para prevenir o tédio a qualquer momento.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A Tristeza


Triste é viver na solidão: assim profetizou o poeta. A tristeza acontece quando o coração se fecha à experiência do recomeçar ante o que falhou no seu experienciar. Coração fechado é coração solitário, qual se estivesse em um armário sem chance de utilização. E a solidão é o medo do amor, singelo botão que se recusa a ser flor.

Tristeza é medo, é não amor, é mágoa com a vida, com o Criador. É emoção paralisada, é réstia de vida aguardando ser apagada.

A tristeza é a mágoa com o feito imperfeito, com o que está pronto, embora sem jeito. É dor que dá no peito e aprisiona a felicidade que quer se expandir, mas não encontra possibilidade.

Seu remédio é compreender que, viajante do infinito universo, sua vida é igualmente infinita e que o tédio de hoje pede que a experiência se repita com novos elementos e novas esperanças para que venha a servir no infinito porvir quais bons momentos que se tornam doces lembranças.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Medo


O medo é a carência de lucidez para realizar aquilo que ainda não se fez. Tudo o que é conhecido é por isto mesmo compreendido. O que se ignora, porém, gera uma desconfiança ante a dúvida do que virá além, sendo desta insegurança que o medo provém.

O medo é impulso paralisador que inicialmente gera suspeição e que bloqueia o estímulo à ação. Tornando-se uma habitualidade, depois de um tempo se torna uma incapacidade, pois qualquer tentativa de fazer seu enfrentamento não ocorre sem uma dor que aparentemente perdurará pela eternidade.

O medo tem precedente em experiência infeliz, é como um indigente que se torna seu juiz e não permite o benefício do perdão porque não admite recurso à sua condenação. É, assim, uma mágoa incontida, um convite à incapacidade de viver a vida.

O medo é coroa de espinhos, louros de urtiga, cama de preguinhos, nada que se bendiga.

Vence o medo quem vence a mágoa de viver sem troféu ou honrarias, pois a glória de quem vive é vencer as lutas dos seus dias. Vence o medo quem de momento tenha desafiado o desconhecido e aceitado o resultado, pois a si mesmo terá vencido ainda que no intento tenha fracassado.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A Fuga


A fuga é o ato de sair de cena para não viver o próximo ato que a vida encena.

A fuga é negar o inegável, desistir do “indesistível” (ops!), fazer o impossível: supor-se forte para derrotar o invencível.

Infinita é a dor daquele que foge da momentânea dor. Não é no salto ao precipício que se vence as montanhas que se erguem na estrada.

Não ver para onde seguir não é motivo para fugir à jornada. Se faltar a força no íntimo do seu ser, necessário busca-la pela conexão de pensamento, contínuo ou de momento, com o absoluto Ser.

Pensamento que busca forças para além de si visando a paz e não o frenesi é pensamento que se conecta com o Criador e que prepara o indivíduo para enfrentar a dor. Não há fórmula sacramental, basta reconhecer que para além do seu ser há um universo infinito, banhado pelo poder do Criador e ao qual podemos designar simplesmente de Puro Amor.

A saída é a esperança; a vitória é sobre a mágoa que o alcança e que o faz pensar que está só e que além do que vem à mente só há o nada, qual uma noite infinitamente alongada. Os pesadelos, porém, nesta noite escura do além, não valem o desgosto do desafio que é posto e que se apresenta por um fio para quem não mais consegue se sentir bem.

Importante saber que toda solução é possível, menos a aniquilação, esta sim, sofrível, pois que nela não há saída, mas a deserção que leva da indesejável lida à insuportável condição de sofrimento atroz aonde toda a dor do mundo se torna seu algoz. 

Busca entender que, se não for desta vez, nalgum momento haverá de ser, e que a dor que mais machuca é a que dobra o orgulho, não a que lhe impõe a labuta para remover do pensamento este famigerado entulho. 

domingo, 4 de setembro de 2016

O Ódio

Diz a física e o homem de ciência não contesta: a cada ação ocorre uma reação de igual intensidade, mesma direção e sentido oposto.

O Amor é a força que impulsiona o universo, é a energia que gera o movimento, é a origem e o destino de tudo que, tendo existido se transformou; que existindo ao universo se integrou e que havendo de existir, o será porque o Amor lhe amou.

O ódio é a força que intenta paralisar o Amor. Quem assim decide, diminui o valor do Amor, isto quando não nega a sua existência, apresentando por ele o seu desprezo enquanto espalha sua intenção a esmo.

O ódio só existe porque existe o Amor. O ódio é, portanto, a reação que intenta equilibrar a ação. Age com força relevante e na mesma direção, mas em sentido oposto. Apõe o Verbo, substantivando suas razões e adjetivando as realizações que o Amor derrama por todas as constelações. Está, portanto, na busca de alcançar a mesma intensidade (força) e em linha (direção) com o Amor, mas em sentido existencial oposto por uma motivação que se oculta tanto mais quanto a distância se avulta.

O Amor é a ação, o ódio a sua reação. A reação só existe onde existe a ação e dela decorre sem qualquer suspeição. Assim, quem mais odeia é em verdade quem mais amou, mas que por motivos que não cabe declinar, tampouco julgar, se magoou. Foi tanta a culpa que não suportou, mas por defesa transferiu a culpa para a dor que não perdoou através do ódio que disparou.

Logo, todo aquele que odeia, em verdade tem em si o Amor em intensidade ainda superior, pois que ainda não equilibrou a ação com a sua reação e assim busca odiar cada vez mais, na intenção de equilibrar o que não se equilibra jamais.

Se porventura alguém conseguisse tal equilíbrio, este seria tão grande quanto o Amor, o que só é possível ao Criador, pois, enfim, não há quem ou qual seja capaz de Amar tanto assim.

Conclusão: quem mais odeia é em verdade quem mais Amor tem desperto em si. Nos abismos do erro e da escuridão, o que há é o Amor em contenção aguardando o momento exato para a sua eclosão.
Não há ser que odeie em incomensurável intensidade que não seja trazido de volta ao verdadeiro sentido existencial: o sentido do Amor, essência do Criador!

sábado, 3 de setembro de 2016

A Mágoa


A mágoa é o amor que sente culpa e se condena a ser o não amor (desamor).

O desamor é o não Deus.

O não Deus é a perda do sentido existencial.

·         Vive o agora, mas não aspira ao futuro;

·         Foge do amor satisfazendo-se no prazer;

·         Põe o ego acima do ser, seja este o si mesmo ou o outro;

·         Não suporta a frustração e flerta com a autoaniquilação.

A mágoa é o veneno da alma que paralisa a emoção. Vencê-la é desafio diário para haurir o bem, quer seja a si como ao próximo também.

Ver as pequenas coisas da vida, qual a flor que brota no jardim ou a borboleta renascida em esplendor e compreender que tudo isto é fruto do Amor, como o é a complexidade humana que é chamada a ser da Natureza o seu coautor.

Qualquer que seja a mágoa admitida na mente e nutrida no coração, dilui-la até ser vencida é desafio permanente da lida do ser que se põe em ação.