O
Amor é a força que impulsiona o universo, é a energia que gera o movimento, é a
origem e o destino de tudo que, tendo existido se transformou; que existindo ao
universo se integrou e que havendo de existir, o será porque o Amor lhe amou.
O
ódio é a força que intenta paralisar o Amor. Quem assim decide, diminui o valor
do Amor, isto quando não nega a sua existência, apresentando por ele o seu
desprezo enquanto espalha sua intenção a esmo.
O
ódio só existe porque existe o Amor. O ódio é, portanto, a reação que intenta
equilibrar a ação. Age com força relevante e na mesma direção, mas em sentido
oposto. Apõe o Verbo, substantivando suas razões e adjetivando as realizações
que o Amor derrama por todas as constelações. Está, portanto, na busca de
alcançar a mesma intensidade (força) e em linha (direção) com o Amor, mas em
sentido existencial oposto por uma motivação que se oculta tanto mais quanto a
distância se avulta.
O
Amor é a ação, o ódio a sua reação. A reação só existe onde existe a ação e
dela decorre sem qualquer suspeição. Assim, quem mais odeia é em verdade quem mais
amou, mas que por motivos que não cabe declinar, tampouco julgar, se magoou. Foi tanta a culpa que
não suportou, mas por defesa transferiu a culpa para a dor que não perdoou através do ódio que disparou.
Logo,
todo aquele que odeia, em verdade tem em si o Amor em intensidade ainda
superior, pois que ainda não equilibrou a ação com a sua reação e assim busca odiar cada vez mais, na intenção de equilibrar o que não se equilibra jamais.
Se
porventura alguém conseguisse tal equilíbrio, este seria tão grande quanto o
Amor, o que só é possível ao Criador, pois, enfim, não há quem ou qual seja
capaz de Amar tanto assim.
Conclusão: quem mais odeia é em verdade quem mais Amor tem desperto em si. Nos
abismos do erro e da escuridão, o que há é o Amor em contenção aguardando o
momento exato para a sua eclosão.
Não há ser que odeie em
incomensurável intensidade que não seja trazido de volta ao verdadeiro sentido
existencial: o sentido do Amor, essência do Criador!
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