O
medo é a carência de lucidez para realizar aquilo que ainda não se fez. Tudo o
que é conhecido é por isto mesmo compreendido. O que se ignora, porém, gera uma desconfiança ante a dúvida do que virá além, sendo desta insegurança que o medo provém.
O
medo é impulso paralisador que inicialmente gera suspeição e que bloqueia o estímulo à ação. Tornando-se uma habitualidade, depois de um
tempo se torna uma incapacidade, pois qualquer tentativa de fazer seu enfrentamento não ocorre sem uma dor que aparentemente perdurará pela eternidade.
O
medo tem precedente em experiência infeliz, é como um indigente que se torna
seu juiz e não permite o benefício do perdão porque não admite recurso à sua
condenação. É, assim, uma mágoa incontida, um convite à incapacidade de viver a
vida.
O
medo é coroa de espinhos, louros de urtiga, cama de preguinhos, nada que se
bendiga.
Vence
o medo quem vence a mágoa de viver sem troféu ou honrarias, pois a glória de
quem vive é vencer as lutas dos seus dias. Vence o medo quem de momento tenha desafiado
o desconhecido e aceitado o resultado, pois a si mesmo terá vencido ainda que no
intento tenha fracassado.
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