terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Medo


O medo é a carência de lucidez para realizar aquilo que ainda não se fez. Tudo o que é conhecido é por isto mesmo compreendido. O que se ignora, porém, gera uma desconfiança ante a dúvida do que virá além, sendo desta insegurança que o medo provém.

O medo é impulso paralisador que inicialmente gera suspeição e que bloqueia o estímulo à ação. Tornando-se uma habitualidade, depois de um tempo se torna uma incapacidade, pois qualquer tentativa de fazer seu enfrentamento não ocorre sem uma dor que aparentemente perdurará pela eternidade.

O medo tem precedente em experiência infeliz, é como um indigente que se torna seu juiz e não permite o benefício do perdão porque não admite recurso à sua condenação. É, assim, uma mágoa incontida, um convite à incapacidade de viver a vida.

O medo é coroa de espinhos, louros de urtiga, cama de preguinhos, nada que se bendiga.

Vence o medo quem vence a mágoa de viver sem troféu ou honrarias, pois a glória de quem vive é vencer as lutas dos seus dias. Vence o medo quem de momento tenha desafiado o desconhecido e aceitado o resultado, pois a si mesmo terá vencido ainda que no intento tenha fracassado.

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