A
angústia é a opressão do ser sobre o seu momento. Prima-irmã da ansiedade, a
angústia torna o ser incapaz de proceder com seu projeto de vida, pois teme
perder o que pensa ser a própria vida. É a visão do nada que se avoluma e faz
com que a pessoa nada mais assuma porque não há o que assumir, simplesmente há
a vontade de sumir.
A
pessoa angustiada está sob a pressão entre o vazio existencial e o nada que lhe
assinala. É de tal tamanho o vácuo que se apresenta que a voz se cala diante
deste horizonte abismal que só aumenta.
A
visão do bem, do belo e do amor se perde diante do horror que a angústia produz
na tela mental do atormentado que não percebe que o bem, o belo e o amor estão
bem ao seu lado. É qual a criança perdida na praia que, em meio a uma multidão
pronta a lhe ajudar, se sente só por não ver sua mãe, seu pai, seu irmão,
enfim, alguém do seu lar.
O
alívio da angústia está em esticar a visão para além da opressão. O angustiado
não enxerga senão o ponto para o qual seu horizonte foi sequestrado. Porém, a
percepção de que não está só no mundo, de que o Amor é o verdadeiro horizonte e
que a vida se estende para o infinito e mais além, faz a pessoa voltar ao
sentimento do bem e começar a vencer o momento que lhe fez perecer, mas cujo
Amor pode resgatá-la e mudar sua perspectiva de vida, sua expectativa e ante a
sua mudez resgatar a sua fala.
Um
passo de cada vez é o melhor movimento a se fazer, o cuidado é remédio adequado
quando o ser paralisado volta a se mexer. Os olhos mantidos no horizonte do
amor e o sentido aguçado para perceber o bem e o belo que estão ao seu lado
propiciam ao outrora angustiado uma saída segura da dor.
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