domingo, 11 de setembro de 2016

A Angústia


A angústia é a opressão do ser sobre o seu momento. Prima-irmã da ansiedade, a angústia torna o ser incapaz de proceder com seu projeto de vida, pois teme perder o que pensa ser a própria vida. É a visão do nada que se avoluma e faz com que a pessoa nada mais assuma porque não há o que assumir, simplesmente há a vontade de sumir.

A pessoa angustiada está sob a pressão entre o vazio existencial e o nada que lhe assinala. É de tal tamanho o vácuo que se apresenta que a voz se cala diante deste horizonte abismal que só aumenta.

A visão do bem, do belo e do amor se perde diante do horror que a angústia produz na tela mental do atormentado que não percebe que o bem, o belo e o amor estão bem ao seu lado. É qual a criança perdida na praia que, em meio a uma multidão pronta a lhe ajudar, se sente só por não ver sua mãe, seu pai, seu irmão, enfim, alguém do seu lar.

O alívio da angústia está em esticar a visão para além da opressão. O angustiado não enxerga senão o ponto para o qual seu horizonte foi sequestrado. Porém, a percepção de que não está só no mundo, de que o Amor é o verdadeiro horizonte e que a vida se estende para o infinito e mais além, faz a pessoa voltar ao sentimento do bem e começar a vencer o momento que lhe fez perecer, mas cujo Amor pode resgatá-la e mudar sua perspectiva de vida, sua expectativa e ante a sua mudez resgatar a sua fala.

Um passo de cada vez é o melhor movimento a se fazer, o cuidado é remédio adequado quando o ser paralisado volta a se mexer. Os olhos mantidos no horizonte do amor e o sentido aguçado para perceber o bem e o belo que estão ao seu lado propiciam ao outrora angustiado uma saída segura da dor.

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