segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Amor


Amor... quem não conhece esta palavra? Quem nunca sonhou garimpar uma pedra preciosa desta lavra? Ora, pense um pouco, lembre-se do passado, quando se dizia que só poderia ser louco aquele que nunca houvesse amado.

Amor em sua primeira acepção é sentir que alguém tem por nós irrestrita dedicação. Assim como o amor de mãe, desejamos encontrar este amor atenção sem qualquer precondição. Mas, esta visão infantil necessita amadurecer, senão fica febril e recusa reconhecer o que de fato o amor vem a ser.

Amor é gratuidade, jamais exclusividade ou propriedade.

Amor é presente na natureza desde a origem dos tempos e lugares, dos movimentos estelares de onde erigem os Luminares a organizar o caos universal do elemento material para receber cada novo ser.

Amor é ínsito a este estado de natureza, estado íntimo do ser envolto à sua beleza.

Contudo, porque o vemos como objeto de posse que temos ou que queremos, abjeto fica nosso entendimento e doente fica o nosso sentimento.

Amor nos alcança fundo porque é maior que o mundo, estimula a esperança e anula a intemperança porque serena o inquietado na sua sede de ser notado.

Amor existe desde antes do existir e prescinde do nosso exigir. É ponto de partida para o que se põe na lida mais dura e de parada para o que está a caminho na estrada escura; flor que perfuma a vida, do espinho é cura quando da arranhadura.

A seguir, abra seu coração para o Amor e sinta extinguir qualquer motivação para a dor. É a dor, não o Amor, que deve sair do centro do sentido existencial, pois enquanto a dor é sinal a corrigir o rumo, o Amor é o prumo da Consciência Universal.

Amor: deixe fluir em você esta corrente desde a nascente e comece a sentir a sua vida diferente daqui prá frente, mais que um dia somente, eternamente!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O Renascimento


Quem não teve um dia em sua vida em que se sentiu morto, acabado, trilhando um caminho torto, pesado, qual navio em um porto, atracado, enfrentando vagas e mesmo parado, longe das sagas, quedou-se vitimado?

Quem não teve uma semana em sua vida que pareceu uma eternidade e porque a lida lhe fosse uma enormidade rogou ver uma finalidade ante a sua incapacidade de lidar com tamanha luta sem notoriedade?

Quem não teve um mês que quisesse sacar do calendário, qual uma roupa que se tira do armário, um compromisso que não encaixa no horário ou um fim de semana solitário?

Quem não teve também aquele ano que passou, mas que parece que não acabou de tanta cicatriz que gerou e que definitivamente nos marcou pelo que machucou como pelo que dele restou?

Pois bem, acho que algo de cada coisa acima se encaixa em alguém como você, como em mim, e ninguém haverá de dissentir se eu disser sentir a morte como esta ausência, este tempo de impermanência que preferiríamos não ter ciência da sua existência.

Porém, passadas estas dores inglórias, fazemos uma releitura de nós e descobrimos nossas vitórias, pois que sobrevivemos às nossas próprias histórias que compõe as trajetórias de almas em lutas emancipatórias.

Renascimento é, portanto, encontrar-se em um momento em que, saída deste tormento a alma faz um movimento de reencontro ao seu centro depois de estar em suspenso por tão grave acontecimento.

Renascer é conceber que fortaleceu porque a dor conheceu, é admitir que para evoluir é necessário consentir com o que vem mais do que com o que convém. Assim, é possível encontrar o amor em tudo o que parece ser dor, é mais consciente compreender a vida em cada luta empreendida, é ver nas feridas as experiências vividas, é ter mão de ternura onde antes sua ação era dura, é enfim, acolher o fruto que teve que colher, posto que o plantio que fez cobrou-lhe a ceifa da vez.

Natal, data fundamental. Significa nascimento, renascimento, esperança, confiança. Luz resplandecente que seduz onisciente a todo que lhe permite tocar, seja pelo som, pelo brilho ou simplesmente pelo mais inocente olhar.

Abrir o coração ao amor do Natal é assentir à sua alma o renascimento vestal que a faz sentir imortal, pois que recomeça até que apareça totalmente nimbada, sem igual, verdadeiramente celestial.
Bom renascimento para você!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A Saída


Todos nós procuramos a saída dos nossos problemas. Encontra-la está nos reclamos dos nossos dilemas.

Em situação de opressão, quando nos parece tudo perdido, o ser humano parece decidido a inculpar a quem julga lhe atacar. Ainda que este sequer o conheça, basta que lhe pareça ser pessoa ideal a responsabilizar pelo seu inferno astral que teima não finalizar.

Assim fazemos contra os que diferem de nós, conferindo-lhes o papel de algoz, mesmo que as diferenças de opinião nos pareçam pequenas quando não perturbam nossas crenças nem justificam nossas cenas. Isto não importa, porque olhamos para ela qual uma porta cujo golpe aplicado fará abrir passagem para o outro lado.

E não é um somente, mas diversos golpes desferidos, que acabam por deixar nossos dedos feridos, enquanto que erroneamente julgamos termos encontrado a saída, quando em verdade o que fizemos foi trazer mais alguém para esta vida sofrida.

A saída é algo que nos projeta para além da dor, embora senti-la seja para nós um grande favor, haja vista caminharmos em revista à nossa história e sem a dor do erro pregresso, impossível compreender o nosso progresso, a nossa vitória.

Acreditar no impossível, ir para além do crível, pois a humanidade só avança se, embalada pela esperança também chamada possibilidade, busca melhorar o que já alcançou e do desterro alçar a liberdade ante a dor do erro que já passou e que se tornou passado ao encontrar consolo no amor plenificado, prenunciador do estado de felicidade.

A saída aos desafios da vida leva ao encontro da Verdade!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O reino do medo

A quem interessa o medo?

O medo dispara em nós uma reação contra o próximo, afastando-nos destes, isolando-nos em nosso interior.

O medo nos afasta da relação, da convivência, nos faz pensar que a amizade não vale o risco da decepção, que a fraternidade não vale o risco da agressão, que o amor não vale o risco da exposição.

Com isto nos tornamos inicialmente arredios, depois amargos, até que, finalmente, agressivos, aplaudindo o linchamento alheio e incentivando a caçada aos que pensam diferente, aos que agem diferente e aos que professam ideias e ideologias diferentes.

Nosso planeta está em plena transição. Fica então a pregunta: a quem interessa o reino do medo? A quem interessa a sua disseminação?

Com a palavra, o seu coração!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A Vingança



Vingar-se é agir contra o outro que agiu contra si. Logo, ser contra o que é contra si é ser a favor de si mesmo, certo?

E R R A D O !

Se agirmos contra o outro da forma que este agiu contra nós, em verdade reproduziremos o mal que recebemos logo após. E esta atitude de reprodução é semelhante a uma contenção.

Imagine querer parar com seus braços uma criança que corre em sua direção: terá que se preparar para conte-la sem que ela o derrube no chão. Possível? Então, agora pense o mesmo com relação a um trem em movimento. Impossível?

Ei! Espera um momento: se no primeiro caso, é brincadeira de criança, no segundo caso, não há como conter o trem e se manter em segurança. Mas, há como agir contra o condutor, qual vingança que espera a hora ideal para causar ao outro o mal e abalar-lhe a confiança em um futuro de esperança.

Mas como dar vazão à dor causada pelo dissabor de quem se voltou contrário ao que o magoou? O mal que combate o mal é qual alimento ao próprio tormento. Não cessa a dor sentida e aumenta a raiva incutida. Em um crescente de mal estar, a vingança logra empatar o jogo da agressão, mas somente gera mais confusão a ser resolvida noutra ocasião, pois o universo é perfeito e malgrado o seu brio, se seu ato foi de mal feito, será dragado ao céu sombrio.

Assim, a vingança falha no intento de corrigir a dor e se torna instrumento de reagir ao amor. Ora, quem não prefere amar a se torturar? Viva saudável, pense no bem, seja amável sem olhar a quem. Veio a dor? Exercite o perdão ao seu autor! Isto não é ser desertor, é agir em favor do equilíbrio do universo pelo amor nele disperso a partir do Criador.

sábado, 24 de setembro de 2016

O Desamor



Diz-se que desamar é deixar de lado, é nutrir indiferença por quem já foi amado. É olhar com desdém para aquele a quem outrora suspirou alento e que agora se consolidou em aborrecimento.

Melhor dizer que desamar é retroceder ao intento de amar. Mas, se há apenas do amor uma intenção, é porque de fato não se consolidou a vibração.

Amor tem dinamismo, não é estático e de prático não flerta com o comodismo.

Desamor é o retrocesso, a desistência do sentimento que nunca foi ardente, uma minudência do momento de aparente amor confesso. Pois que não há como desamar se o amor encontrou lugar.

Amor é como existir: assim como não há como deixar de existir o que já existe, não há como deixar de amar o que já ama.

O amor é a essência criadora no ser: é matéria e é energia, é coisa séria e é alegria, é emoção que vai além, é ação que produz o bem.

Logo, o desamor é uma incoerência, é a pura evidência da descura de quem confundiu o clamor de uma atitude com o amor em plenitude.

Receita perfeita contra o desamor? Ame, simplesmente ame!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Desesperança


A desesperança é o fim anunciado. Diria mais, é o fim antecipadamente decretado, sem que se queira olhar para a frente, sequer para o lado. É algo que sente quem está emocionalmente encurralado e porque não mais espera, menos ainda fica esperançado.

A esperança é ânimo que se adquire para o enfrentamento, é tranquilidade ante a prova do momento, é uma qualidade daquele que lida com o sofrimento e vê uma nova motivação, um cometimento que impulsiona a razão a dar seguimento à ação de renovação.

A desesperança, ao contrário, impede a pessoa de enxergar para além do problema casual e de montar um esquema para sair desta prisão emocional. A esperança dá tempo ao tempo, a desesperança desconhece o tempo porque entristece o amanhã misturando-o em um amalgama de dor e atirando-o ao relento do desamor.

Esperançar, verbo que significa animar ou confiar. Enquanto desesperançar é o mesmo que se entregar, esperançar é ser incansável no lutar.

Pois que há covardia na desesperança, há coragem na esperança. Covardia é desistência, coragem é resiliência.

Se é lato sensu que não passarão a Fé, a Esperança e o Amor, é fato, penso, que a desesperança não cria limo em quem busca o Criador pois conhece o Amor!

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O Rancor


Filho da inveja com o ódio e primo-irmão da mágoa, o rancor é a não aceitação do outro, em qualquer condição que este outro apareça beneficiado em detrimento dos interesses do que se sente magoado. Denota um caráter egoísta, pois somente admite o benefício a si próprio e molda este egoísmo em argumentos razoáveis a primeira vista, mas que não se sustentam em uma análise ampliada da questão central e das questões periféricas a esta associada.

Como já foi dito, é do casamento da inveja com o ódio que nasce o rancor. A inveja se apresenta a esmo e não aceita o veredito que dá ao outro o que não pode lograr para si mesmo. Mas é na infelicidade do encontro com o ódio que surge o rancor, dificultando ainda mais a fecundidade do amor.

Sejamos sinceros, não há motivo de rancor que não seja dissolvido pelo amor. Claro que quem adota a postura rancorosa só anota dedo de prosa como detrator. O ódio o alimenta, enquanto a inveja lhe é só elogio e a mágoa o aumenta, porquanto com ele peleja por anos a fio.
Remédio eficaz para quem se sente incapaz de mudar o padrão de pensamento é deixar por um momento de fixar a atenção no móvel do sentimento que lhe causa esta fixação. Neste instante pensar que é importante olhar para dentro de si e procurar o lugar aonde escondeu a sua capacidade de amar a algo ou alguém, não importando a quem. Ao encontrar este amor e deixando-se emocionar, a pessoa presa ao rancor irá redirecionar a força que tem para valorizar este amor, guardando o “mas” para longe deste olhar que a ternura consegue alcançar. Entender que não é o outro que deve definir o seu jeito de ser e que nutrir o rancor é em verdade magoar-se, machucar-se, a si mesmo ferir sem nada no universo mudar senão a própria disposição de amar.

domingo, 11 de setembro de 2016

A Angústia


A angústia é a opressão do ser sobre o seu momento. Prima-irmã da ansiedade, a angústia torna o ser incapaz de proceder com seu projeto de vida, pois teme perder o que pensa ser a própria vida. É a visão do nada que se avoluma e faz com que a pessoa nada mais assuma porque não há o que assumir, simplesmente há a vontade de sumir.

A pessoa angustiada está sob a pressão entre o vazio existencial e o nada que lhe assinala. É de tal tamanho o vácuo que se apresenta que a voz se cala diante deste horizonte abismal que só aumenta.

A visão do bem, do belo e do amor se perde diante do horror que a angústia produz na tela mental do atormentado que não percebe que o bem, o belo e o amor estão bem ao seu lado. É qual a criança perdida na praia que, em meio a uma multidão pronta a lhe ajudar, se sente só por não ver sua mãe, seu pai, seu irmão, enfim, alguém do seu lar.

O alívio da angústia está em esticar a visão para além da opressão. O angustiado não enxerga senão o ponto para o qual seu horizonte foi sequestrado. Porém, a percepção de que não está só no mundo, de que o Amor é o verdadeiro horizonte e que a vida se estende para o infinito e mais além, faz a pessoa voltar ao sentimento do bem e começar a vencer o momento que lhe fez perecer, mas cujo Amor pode resgatá-la e mudar sua perspectiva de vida, sua expectativa e ante a sua mudez resgatar a sua fala.

Um passo de cada vez é o melhor movimento a se fazer, o cuidado é remédio adequado quando o ser paralisado volta a se mexer. Os olhos mantidos no horizonte do amor e o sentido aguçado para perceber o bem e o belo que estão ao seu lado propiciam ao outrora angustiado uma saída segura da dor.

sábado, 10 de setembro de 2016

O Suicídio


Suicídio – o nome já diz: sui = si mesmo; cídio = matar, ou seja, matar a si mesmo.

O ato de suicidar implica em abandono da vida quando nada parece mais fazer sentido nesta lida, agravado pela dor que se sente, ou que se mostra iminente. Desta forma, muitos atravessam esta porta em direção ao nada hipotético, a este fim de estrada para o cético, para não ter que enfrentar o que lhe parece impossível de aturar.

Cometer suicídio é desobedecer ao instinto, que trabalha sempre para a conservação do indivíduo. Atitudes como alimentação adequada, atividades físicas moderadas, busca da saúde, são indícios naturais da vontade de viver que cerca o ser. Entrementes, muitos carecem de algum descompromisso consigo mesmo, cometendo excessos evidentes contra a sua natureza. Por isso cito o tabagismo, o alcoolismo, a drogadicção ou o comportamento glutão; repito, um ou outro cometimento destes considerados inocentes, mas que nos levam na mesma direção: a autodestruição.

Não é diferente quando o ato é amparado por lei, qual o direito a eutanásia que algumas sociedades admitem e que podem ser solicitadas por quem desiste de viver, como se esta escolha fosse legítima ao próprio ser.

No oculto desta decisão há um fosso cujo fundo é sem igual para quem não tem visão de como sair deste poço moral.

A inteligência e a mente não são produtos da matéria, assim já sabe a ciência e demonstra a investigação esotérica. Assim, a continuidade do ser é algo que já não há muito como negar, logo o ato de suicidar é intrínseco ao mundo material, mas não apaga sua essência transcendental.

A consciência enfrentada diante da fuga realizada ao enfrentamento a que foi convidada a pessoa desertada, tem suplícios que tornam os renunciados sacrifícios meras indisposições transitórias, percalços para que fossem alcançadas as glórias. Isto não é uma questão de crer, mas de saber.

O volume de conhecimento disposto sobre o tema não mais admite que se alegue ignorância, mas considerando não haver julgador senão o próprio fugitivo, agora seu acusador, esta é uma questão de menor importância. De relevante mesmo é saber que, o ato autodestrutivo é passo decisivo para o agravamento da condição atual daquele que antecipou sua saída da existência material.

Se ainda assim a pessoa acalenta este pesadelo como caminho de solução, procure alguma literatura que expõe o que ocorre com aquele que se foi por esta decisão. Afinal, a este não mais importa se tal literatura é oriunda de ciência ou de religião, pois para quem pretende mergulhar no nada para nada mais ser, que mal lhe fará confrontar sua convicção com a de tantos outros que creem na vida após do corpo lograr a libertação?

O Tédio


O tédio é o sentimento de vazio que se tem quando algo se espera para mais além, sem que se saiba exatamente o que virá, tampouco, quando, de onde ou por quem.

A espera em vazio abre uma brecha emocional qual um vácuo não intencional e claramente adimensional. Logo este vácuo começa a ser preenchido pelo que é simples e fácil de ser colhido. Uma conversa tosca, uma atividade passageira, a vida gira qual rosca que fixa a visão a um ponto, reduzindo o significado de uma vida inteira a algo que não virá por encanto.

O mais grave disto tudo é que o tédio não permite preencher o vazio existencial momentâneo com algo sucedâneo ou mesmo com uma proposta de elevação moral que coloque o tedioso em condição melhor ou igual a que tinha antes de abrir-se ao tenebroso lapso temporal.

O tempo aparece como vilão, quando em verdade não é mais que um irmão, que judicioso em seu viver, não abandona a nenhum ser, pois a todos acompanha e recebe na chegada à vida, como também na sua partida.

Cobramos deste irmão criterioso e justo, que se faz presente ao mais atento e ao displicente dá um susto, como se ele, o tempo, fosse a razão do tédio, atrasando dos relógios os ponteiros ou fomentando régios atoleiros.

Um simples olhar para a própria vivência e fica perceptível que a experiência é infalível remédio contra o tédio. Basta compreender que acima de nossa vontade reina o Criador com Sua Sublimidade, a distribuir os recursos com perfeita equidade, considerando a vida como uma construção na qual cada um tem sua missão no processo de edificação.

Querer que este Puro Amor atenda a nossa tensa vontade é reduzi-lo a menos do que somos sem reprimenda à nossa  imensa vaidade.
Compreender que as horas preenchidas com o lume do Amor são colhidas qual perfume de flor e que tal preenchimento afugenta por completo do tédio o cometimento, este é o verdadeiro ensinamento para prevenir o tédio a qualquer momento.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A Tristeza


Triste é viver na solidão: assim profetizou o poeta. A tristeza acontece quando o coração se fecha à experiência do recomeçar ante o que falhou no seu experienciar. Coração fechado é coração solitário, qual se estivesse em um armário sem chance de utilização. E a solidão é o medo do amor, singelo botão que se recusa a ser flor.

Tristeza é medo, é não amor, é mágoa com a vida, com o Criador. É emoção paralisada, é réstia de vida aguardando ser apagada.

A tristeza é a mágoa com o feito imperfeito, com o que está pronto, embora sem jeito. É dor que dá no peito e aprisiona a felicidade que quer se expandir, mas não encontra possibilidade.

Seu remédio é compreender que, viajante do infinito universo, sua vida é igualmente infinita e que o tédio de hoje pede que a experiência se repita com novos elementos e novas esperanças para que venha a servir no infinito porvir quais bons momentos que se tornam doces lembranças.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Medo


O medo é a carência de lucidez para realizar aquilo que ainda não se fez. Tudo o que é conhecido é por isto mesmo compreendido. O que se ignora, porém, gera uma desconfiança ante a dúvida do que virá além, sendo desta insegurança que o medo provém.

O medo é impulso paralisador que inicialmente gera suspeição e que bloqueia o estímulo à ação. Tornando-se uma habitualidade, depois de um tempo se torna uma incapacidade, pois qualquer tentativa de fazer seu enfrentamento não ocorre sem uma dor que aparentemente perdurará pela eternidade.

O medo tem precedente em experiência infeliz, é como um indigente que se torna seu juiz e não permite o benefício do perdão porque não admite recurso à sua condenação. É, assim, uma mágoa incontida, um convite à incapacidade de viver a vida.

O medo é coroa de espinhos, louros de urtiga, cama de preguinhos, nada que se bendiga.

Vence o medo quem vence a mágoa de viver sem troféu ou honrarias, pois a glória de quem vive é vencer as lutas dos seus dias. Vence o medo quem de momento tenha desafiado o desconhecido e aceitado o resultado, pois a si mesmo terá vencido ainda que no intento tenha fracassado.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A Fuga


A fuga é o ato de sair de cena para não viver o próximo ato que a vida encena.

A fuga é negar o inegável, desistir do “indesistível” (ops!), fazer o impossível: supor-se forte para derrotar o invencível.

Infinita é a dor daquele que foge da momentânea dor. Não é no salto ao precipício que se vence as montanhas que se erguem na estrada.

Não ver para onde seguir não é motivo para fugir à jornada. Se faltar a força no íntimo do seu ser, necessário busca-la pela conexão de pensamento, contínuo ou de momento, com o absoluto Ser.

Pensamento que busca forças para além de si visando a paz e não o frenesi é pensamento que se conecta com o Criador e que prepara o indivíduo para enfrentar a dor. Não há fórmula sacramental, basta reconhecer que para além do seu ser há um universo infinito, banhado pelo poder do Criador e ao qual podemos designar simplesmente de Puro Amor.

A saída é a esperança; a vitória é sobre a mágoa que o alcança e que o faz pensar que está só e que além do que vem à mente só há o nada, qual uma noite infinitamente alongada. Os pesadelos, porém, nesta noite escura do além, não valem o desgosto do desafio que é posto e que se apresenta por um fio para quem não mais consegue se sentir bem.

Importante saber que toda solução é possível, menos a aniquilação, esta sim, sofrível, pois que nela não há saída, mas a deserção que leva da indesejável lida à insuportável condição de sofrimento atroz aonde toda a dor do mundo se torna seu algoz. 

Busca entender que, se não for desta vez, nalgum momento haverá de ser, e que a dor que mais machuca é a que dobra o orgulho, não a que lhe impõe a labuta para remover do pensamento este famigerado entulho. 

domingo, 4 de setembro de 2016

O Ódio

Diz a física e o homem de ciência não contesta: a cada ação ocorre uma reação de igual intensidade, mesma direção e sentido oposto.

O Amor é a força que impulsiona o universo, é a energia que gera o movimento, é a origem e o destino de tudo que, tendo existido se transformou; que existindo ao universo se integrou e que havendo de existir, o será porque o Amor lhe amou.

O ódio é a força que intenta paralisar o Amor. Quem assim decide, diminui o valor do Amor, isto quando não nega a sua existência, apresentando por ele o seu desprezo enquanto espalha sua intenção a esmo.

O ódio só existe porque existe o Amor. O ódio é, portanto, a reação que intenta equilibrar a ação. Age com força relevante e na mesma direção, mas em sentido oposto. Apõe o Verbo, substantivando suas razões e adjetivando as realizações que o Amor derrama por todas as constelações. Está, portanto, na busca de alcançar a mesma intensidade (força) e em linha (direção) com o Amor, mas em sentido existencial oposto por uma motivação que se oculta tanto mais quanto a distância se avulta.

O Amor é a ação, o ódio a sua reação. A reação só existe onde existe a ação e dela decorre sem qualquer suspeição. Assim, quem mais odeia é em verdade quem mais amou, mas que por motivos que não cabe declinar, tampouco julgar, se magoou. Foi tanta a culpa que não suportou, mas por defesa transferiu a culpa para a dor que não perdoou através do ódio que disparou.

Logo, todo aquele que odeia, em verdade tem em si o Amor em intensidade ainda superior, pois que ainda não equilibrou a ação com a sua reação e assim busca odiar cada vez mais, na intenção de equilibrar o que não se equilibra jamais.

Se porventura alguém conseguisse tal equilíbrio, este seria tão grande quanto o Amor, o que só é possível ao Criador, pois, enfim, não há quem ou qual seja capaz de Amar tanto assim.

Conclusão: quem mais odeia é em verdade quem mais Amor tem desperto em si. Nos abismos do erro e da escuridão, o que há é o Amor em contenção aguardando o momento exato para a sua eclosão.
Não há ser que odeie em incomensurável intensidade que não seja trazido de volta ao verdadeiro sentido existencial: o sentido do Amor, essência do Criador!

sábado, 3 de setembro de 2016

A Mágoa


A mágoa é o amor que sente culpa e se condena a ser o não amor (desamor).

O desamor é o não Deus.

O não Deus é a perda do sentido existencial.

·         Vive o agora, mas não aspira ao futuro;

·         Foge do amor satisfazendo-se no prazer;

·         Põe o ego acima do ser, seja este o si mesmo ou o outro;

·         Não suporta a frustração e flerta com a autoaniquilação.

A mágoa é o veneno da alma que paralisa a emoção. Vencê-la é desafio diário para haurir o bem, quer seja a si como ao próximo também.

Ver as pequenas coisas da vida, qual a flor que brota no jardim ou a borboleta renascida em esplendor e compreender que tudo isto é fruto do Amor, como o é a complexidade humana que é chamada a ser da Natureza o seu coautor.

Qualquer que seja a mágoa admitida na mente e nutrida no coração, dilui-la até ser vencida é desafio permanente da lida do ser que se põe em ação.