sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O Renascimento


Quem não teve um dia em sua vida em que se sentiu morto, acabado, trilhando um caminho torto, pesado, qual navio em um porto, atracado, enfrentando vagas e mesmo parado, longe das sagas, quedou-se vitimado?

Quem não teve uma semana em sua vida que pareceu uma eternidade e porque a lida lhe fosse uma enormidade rogou ver uma finalidade ante a sua incapacidade de lidar com tamanha luta sem notoriedade?

Quem não teve um mês que quisesse sacar do calendário, qual uma roupa que se tira do armário, um compromisso que não encaixa no horário ou um fim de semana solitário?

Quem não teve também aquele ano que passou, mas que parece que não acabou de tanta cicatriz que gerou e que definitivamente nos marcou pelo que machucou como pelo que dele restou?

Pois bem, acho que algo de cada coisa acima se encaixa em alguém como você, como em mim, e ninguém haverá de dissentir se eu disser sentir a morte como esta ausência, este tempo de impermanência que preferiríamos não ter ciência da sua existência.

Porém, passadas estas dores inglórias, fazemos uma releitura de nós e descobrimos nossas vitórias, pois que sobrevivemos às nossas próprias histórias que compõe as trajetórias de almas em lutas emancipatórias.

Renascimento é, portanto, encontrar-se em um momento em que, saída deste tormento a alma faz um movimento de reencontro ao seu centro depois de estar em suspenso por tão grave acontecimento.

Renascer é conceber que fortaleceu porque a dor conheceu, é admitir que para evoluir é necessário consentir com o que vem mais do que com o que convém. Assim, é possível encontrar o amor em tudo o que parece ser dor, é mais consciente compreender a vida em cada luta empreendida, é ver nas feridas as experiências vividas, é ter mão de ternura onde antes sua ação era dura, é enfim, acolher o fruto que teve que colher, posto que o plantio que fez cobrou-lhe a ceifa da vez.

Natal, data fundamental. Significa nascimento, renascimento, esperança, confiança. Luz resplandecente que seduz onisciente a todo que lhe permite tocar, seja pelo som, pelo brilho ou simplesmente pelo mais inocente olhar.

Abrir o coração ao amor do Natal é assentir à sua alma o renascimento vestal que a faz sentir imortal, pois que recomeça até que apareça totalmente nimbada, sem igual, verdadeiramente celestial.
Bom renascimento para você!

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