sexta-feira, 30 de março de 2018

O SENTIMENTO

Então, depois de tanto tempo, aqui recomeça nossa conversa. E para animar, falaremos de algo que muito lhe interessa: o sentimento. 

Sentimento é a leitura emocional de um fato, de uma palavra, ou é a impressão acerca de algo que lhe cerca, assim, de ocasião.

O sentimento pode ser positivo ou negativo, conforme o impacto que provoca. Sua origem muitas vezes não está no fato em si, mas naquilo que surge a partir deste fato que espontaneamente sai da toca.

Sentimento é movimento íntimo de resposta à uma causa. É, por assim dizer, uma reação, condicionada ou não, porquanto o condicionamento deriva de um desenvolvimento dos valores individuais, familiares e sociais. Porém, há respostas que são instintivas, do tipo primitivas e que vêm da bagagem antropológica, como o medo, a coragem e outros fatores que nos acompanham nesta viagem. 

Dada uma situação, há quem diga "que bela oportunidade!", enquanto outros nela só veem ameaça, maldade. Há quem pense "sinto que é a minha hora, vou pra cima" enquanto alguém, por outro lado, atesta "estou me sentindo inconformado, injustiçado".

Se a situação é a mesma, a resposta não raro segue uma ou outra direção, conforme suscite boa ou má impressão. Se alguém diz "isto é para você", pode uma pessoa não querer e outra por isto agradecer. Quem está certo? A resposta não demora: ambos, um ou nenhum, pois o sentimento é ínsito a cada um!

Em outras palavras, ao receber um presente, a pessoa poderá exultar ou achar que é um "Cavalo de Tróia". Da mesma forma, ao receber uma ofensa, poderá retrucar ou de coração perdoar. Qualquer que seja a escolha, ela será mais que um ato de momento, por efeito, será um fato, um elemento constitutivo e inseparável da sua história pessoal, tão única quanto imensurável.

Por isto, importa considerar sempre que sentir-se bem ou mal diante de uma situação não é mero reflexo condicionado, mas uma escolha cujo lado abraçado é que trará suas flores ou seus espinhos, com seus perfumes ou seus odores a adornar seus caminhos. Gostar ou não gostar, querer ou não querer, recusar ou agradecer, sentir-se agraciado ou atacado, ofendido ou querido, é algo que depende exclusivamente do modo íntimo de ver cada coisa e de dar-lhe guarida, ou seja, de como a pessoa decide ver e viver a sua própria vida.  

Neste sentido, a razão oferece elementos para que estes momentos sejam bem avaliados e a pessoa escolha para qual dos lados deverá se movimentar sem sentir medo de errar. Colocar o sentir sob a vigilância da razão é também uma escolha, pois a razão bem aplicada é garantia de não agir de forma equivocada. Esta vigilância não significa a proibição do sentir, mas o controle do agir que decorre do sentimento.

A rosa traz consigo a beleza e o perfume incomparável, mas a roseira tem espinhos em profusão. Desfrutar do perfume e da beleza sem machucar a mão é utilizar a razão para lidar com a situação. Submeter o sentimento à apreciação da razão é realizar um esforço individual para a autoeducação. 

Por isto, ponha razão em seu olhar e direcione o sentimento conforme o seu melhor entendimento. Certamente, esta atitude vai protegê-lo de ferir a outrem como a si próprio também!

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