Em tempos de momo, a carne nada vale. Então, repare: o que efetivamente tem valor? O que podemos considerar digno de nota, de esplendor? São os brilhos purpurinados, os corpos desnudados ou os passos ensaiados ao som da bateria que contagia porque dita o ritmo cardíaco e que de modo empírico assume o controle da multidão que se aglomera na empolgação? E o que dizer daqueles que trocam sem pudor ou distinção o sentimento de amor por um momento de excitação? Aonde vão estes que se dão na mais louca alucinação sem pensar que haverá então um dia depois da folia no qual a alegria será menos de rebeldia e mais de harmonia? E como harmonizar com o universo enquanto buscar no reverso um espanto, meio verso, nada santo, qual incesto?
O verdadeiro valor vem do que permanece e não daquilo que perece. Nada que é imanente; tudo o que é transcendente. A carne nada vale sim, como valor transcendental, mas importa cuidar, pois forma o caráter individual do ser que se compreende imortal. Esta perspectiva, de imortalidade, altera a percepção da temporalidade e introduz no ser a componente continuidade, algo consciente na busca do que se pode chamar de Verdade.
Diante desta perspectiva e da vida que precisa ser vivida, fica a pergunta da hora à senhora e ao senhor:
Afinal, o que de fato tem valor?
Ouso dizer, sem prejuízo ao Ser, pois que amar é cuidar...
nada do que é descuidado; tudo o que é amado!
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